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Daniela Baptista Educação Luxvora · Mai 2026

A Farsa da Educação Padronizada e Rígida

Daniela Baptista

Por Daniela Baptista

Professora de Matemática, Física e Licenciada em Pedagogia · Colunista Leste

PADRONIZADA E RÍGIDA POR: DANIELA BAPTISTA MONTEIRO DA SILVA É evidente que a educação precisa acompanhar as mudanças em relação à geração que é beneficiada pela ação de aprender e se desenvolver como um ser com senso crítico, pronto para atuar como cidadão na sociedade. Quando analisamos o fato mencionado anteriormente, fica claro que parte dessa afirmação está ligada ao objetivo da pedagogia tradicional, iniciada no século XIX, em que o professor era o sujeito principal da ação de ensinar e os seus alunos eram simplesmente “peças” inativas, as quais receberiam o conhecimento sem questionamentos, com foco na preparação dos indivíduos para o mercado de trabalho. O olhar para o aluno era simplesmente o de um ser que deveria receber o conhecimento e reproduzi-lo. Com isso, foi percebendo que havia uma parte dos alunos que tinha dificuldades com esse método de aprendizagem, pois não conseguiam reproduzir o que foi passado. Lembrando que esse método ainda perdura em algumas instituições de ensino, e alguns profissionais ainda seguem essa ideia pedagógica em pleno século XXI. Com a inserção de novas gerações na sociedade, a educação e o seu método tradicional precisaram ser revisto, ou melhor, analisado, para compreender o não sucesso dos alunos no desempenho escolar. Estamos percebendo como os nossos alunos, independentemente da idade, estão tendo dificuldades de assimilar e fixar os assuntos abordados pelos seus professores em sala de aula.

De acordo com os fatos expostos, é necessário compreender o que é a educação e qual a sua relação com o desenvolvimento da sociedade no século XIX. A educação é considerada um dos pilares da sociedade, pois demonstra o seu grau de desenvolvimento e as transformações sofridas ao longo do tempo. Logo, a preparação e a formação dos jovens da época precisavam ser efetivas, para que estivessem prontos para atuar em suas respectivas funções na sociedade. Diante desse contexto, a educação tradicional trouxe mudanças ao ampliar o número de pessoas instruídas para o trabalho, fazendo com que a sociedade começasse a se movimentar a partir da preparação dos cidadãos para os ambientes profissionais. Por isso, a educação passou a ser vista como “porta de entrada” para o mercado de trabalho e como uma grande oportunidade de mudança de status social. Segundo Paulo Freire, ao tratar da relação entre educação e transformação social: A educação muda pessoas, e pessoas transformam o mundo. Falar brevemente sobre a educação no século XIX é mencionar os reais motivos do investimento na educação, pois ela sempre foi vista como um instrumento capaz de modificar o pensamento dos indivíduos. Diante desse contexto, é possível compreender que o modelo de educação estruturado no século XIX atendia a uma necessidade específica daquele período histórico. No entanto, a permanência desse modelo, de forma rígida e padronizada, em uma sociedade completamente diferente, revela uma incoerência que impacta diretamente o processo de aprendizagem dos alunos. Ao manter práticas que não consideram as particularidades individuais, os diferentes ritmos de aprendizagem e as mudanças no comportamento das novas gerações, a educação passa a cumprir um papel contrário ao que se propõe. Em vez de desenvolver, limita. Em vez de potencializar, padroniza. Em vez de formar sujeitos críticos, condiciona à repetição. Essa é, portanto, a grande farsa da educação padronizada: acreditar que todos aprendem da mesma forma, no mesmo tempo e sob as mesmas estratégias. Essa lógica desconsidera não apenas as diferenças cognitivas, mas também os aspectos emocionais, sociais e culturais que influenciam diretamente o processo de aprendizagem. Ao observar a realidade das salas de aula, torna-se evidente que muitos alunos não apresentam dificuldades por incapacidade, mas por estarem inseridos em um sistema que não dialoga com suas necessidades. A dificuldade, nesse caso, não está no aluno, mas na forma como o ensino está estruturado. É nesse ponto que se faz necessária uma reflexão mais profunda sobre o papel da educação na contemporaneidade. Se, no passado, o objetivo era formar indivíduos para atender às demandas do mercado de trabalho, hoje a necessidade vai além: formar sujeitos capazes de pensar, questionar, adaptar-se e construir conhecimento de forma ativa.

Portanto, repensar a educação não é uma opção, mas uma necessidade. Romper com modelos engessados e abrir espaço para práticas mais humanizadas, flexíveis e significativas é o caminho para que o processo de ensino e aprendizagem aconteça de forma efetiva. A educação precisa deixar de ser um sistema de reprodução e passar a ser um espaço de construção. Caso contrário, continuará formando alunos que apenas decoram, mas não compreendem; que repetem, mas não transformam. Em meio a esse cenário, torna-se urgente assumir um novo posicionamento diante da educação, rompendo com práticas que já não atendem às reais necessidades dos alunos. Educar exige escuta, adaptação e compromisso com o desenvolvimento integral do sujeito. Enquanto insistirmos em modelos ultrapassados, continuaremos limitando potenciais e comprometendo a construção de uma sociedade verdadeiramente crítica, consciente e preparada para os desafios contemporâneos.

Publicado em Luxvora · Maio 2026
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