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Luciana Novaes Nutrição Leste Saúde · Mai 2026

A Mãe Exausta Não Nutre, Ela Sobrevive

Luciana Novaes

Por Luciana Novaes

Nutricionista e Biomédica Esteta · Colunista Leste

Você já se pegou comendo em pé na cozinha, na frente da pia, terminando o que sobrou do prato do seu filho? Ou então lembrando, às três da tarde, que tomou apenas um café desde que acordou? Se a resposta for sim, quero que você saiba que isso é o retrato de uma mulher que aprendeu a se colocar em último lugar.

Só que não podemos normalizar isso porque há um problema silencioso aí: seu corpo estará pagando uma conta que você nem sabe que abriu. A NÉVOA QUE VOCÊ ACEITOU COMO NORMAL A gente cresce ouvindo isso: que mãe boa é mãe que se doa inteira.

Isso cria um caminho muito perigoso até o ponto em que a exaustão vira identidade, o cansaço deixa de ser um sinal de alerta e passa a ser um troféu disfarçado de dedicação. Os anos passam e na minha prática clínica continuo recebendo mulheres nessa situação: que chegam relatando irritabilidade fora do controle, dificuldade de concentração, insônia mesmo quando conseguem se deitar, e aquela fome constante que não passa nem depois de comer.

A maioria me diz a mesma coisa: “é o cansaço de ser mãe, né? É normal.” Não é. Ou melhor, não deveria ser aceito como algo que faz parte da maternidade. Muitas vezes o início é um sequestro silencioso de micronutrientes que começa lá na gestação e amamentação.

O organismo prioriza o bebê na distribuição de vários minerais e vitaminas como ferro, zinco, magnésio, vitaminas do complexo B e ômega-

3. Rarame

nte a mulher tem uma alimentação que pense nela e repõe o que precisa, porque a mãe come de qualquer jeito: na correria, o que tiver à mão, e é assim que a deficiência se instala, se manifestando como a “névoa mental” que você normalizou.

Ter fome constante é outro aviso, interpretado como falta de foco ou de força de vontade, quando na realidade é o seu corpo pedindo socorro em uma linguagem que ninguém te ensinou a interpretar. Existe um caminho para mudarmos isso e não se preocupe, eu não vou te pedir para fazer uma dieta elaborada nem para cozinhar marmitas fitness aos domingos.

O que proponho é muito mais simples e é justamente por ser simples que funciona dentro da realidade da maternidade. O primeiro passo é abandonar a alimentação do “quando dá”: o café frio, o biscoito no intervalo, a fruta que sobrou.

Comece a pensar em organizar uma base saudável mínima, que não precisa ser perfeita. Isso significa garantir, ao longo do dia, alimentos ricos em proteína de qualidade em pelo menos duas refeições que podem ser o almoço e o jantar, gordura boa (abacate, azeite, oleaginosas), ter frutas e legumes e arroz integral para sustentar a energia e, sobretudo, beba água, porque a desidratação leve já compromete o humor e a cognição.

Parece pouco? É o suficiente para começar a reverter um quadro de depleção crônica. Chamo de “Mínimo Viável Nutritivo” a estratégia de encaixar nutrição que mantém o seu corpo, sem culpa e sem perfeccionismo.

Um ovo mexido com espinafre leva quatro minutos, uma castanha com uma fruta é um lanche completo, um iogurte integral com chia é um café da manhã funcional. E todas essas combinações são tranquilas e não exigem um planejamento de Mulher Maravilha.

Só que, se você já está há muito tempo se negligenciando, as deficiências podem estar há muito tempo no seu corpo e a alimentação sozinha não será suficiente para uma recuperação rápida. É aí que a suplementação inteligente entra, que deve ser feita sempre com orientação profissional, sempre investigando o que está em falta de verdade antes de sair comprando suplemento na farmácia.

Quando você trata esses déficits, não está fazendo algo por você à custa da sua família. Você está garantindo que haverá combustível real para abastecer tudo que depende de você. Cuidar de você não é luxo, não é egoísmo e não é coisa para quando as coisas acalmarem, porque, como você sabe muito bem, elas não acalmam.

Cuidar de você é um ato estrutural, é o que mantém a casa de pé. O nosso plano para você se manter bem e sair da exaustão será começar pequeno, mas começaremos hoje. Você existirá junto com o seu filho, não será mais ele, marido, família, trabalho em primeiro lugar e você por último.

Coloque um copo de água na sua mesa antes de colocar o leite do seu filho na mesa dele. Coma algo antes de servir os outros. Esses gestos mínimos são, na verdade, uma declaração de que você também importa nessa equação.

A mãe que se cuida, que também se coloca como prioridade e está bem nutrida tem mais paciência, mais presença, mais alegria. Para doar amor você tem que ter ele sobrando e a primeira pessoa que deve receber amor e carinho é você, fazendo com que seu corpo receba o que precisava para funcionar de verdade.

LUCIANA NOVAES Luciana Novaes é nutricionista NUTRICIONISTA/BIOMÉDICA e biomédica esteta, especialista em saúde metabólica feminina. Atua integrando nutrição e estética no preparo do corpo da mulher para fertilidade, gestação e recuperação da pele e do metabolismo após a maternidade.

Publicado em Leste Saúde · Maio 2026
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