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Marcia Almeida Gestão Leste Empreendedor · Mai 2026

Da Reação à Construção: O Despertar da Gestora Estratégica

Marcia Almeida

Por Marcia Almeida

Mestre em Engenharia, Consultora em Gestão de Negócios e Professora Universitária · Colunista Leste

O DESPERTAR DA GESTORA ESTRATÉGICA, AQUELA QUE CONDUZ SEU NEGÓCIO COM CONSCIÊNCIA, DIREÇÃO E INTENÇÃO. POR MARCIA ALMEIDA "Você não pode mudar o vento, mas pode ajustar as velas." Aristóteles A palavra empreender deriva do francês “entreprendre”, de onde surge o termo “entrepreneur”, utilizado há cerca de 300 anos para designar aquele que assume riscos e inicia algo novo.

No século XX, o conceito ganhou força com Joseph Schumpeter, que apresentou o empreendedor como agente de inovação e transformação econômica, por meio do processo que chamou de “destruição criativa”. Empreender, sempre esteve ligado à ação, à capacidade de fazer acontecer e seguir adiante, Porque agir, sem estratégia, não garante mesmo diante das incertezas.

Foi esse espírito crescimento. E fazer acontecer não assegura que sustentou trajetórias, construiu negócios e continuidade. O negócio segue, reage, impulsionou sonhos. responde, mas nem sempre evolui. Não por falta de talento ou dedicação, mas Com o tempo, o contexto mudou.

Vivemos em principalmente, pela ausência de repertório um ambiente marcado pela volatilidade, pela para compreender a complexidade que se incerteza, pela complexidade e pela ambiguidade impõe. o chamado mundo VUCA, onde a mudança deixou de ser evento e passou a ser condição Em um cenário em constante transformação, permanente. adaptar-se deixa de ser uma resposta eventual e passa a ser uma competência Nesse contexto, a capacidade de agir continua essencial.

O desafio, então, se amplia: já não se essencial. Mas, por si só, sustenta o crescimento trata apenas de agir, mas de desenvolver a de um negócio no longo prazo? capacidade de ler o contexto, ampliar o olhar e sustentar decisões com mais consciência.

CONSTRUINDO UM NOVO OLHAR O olhar sobre a gestão evoluiu. Hoje, já não A resposta para essa pergunta não está em fazer falamos de um plano rígido, mas de um mais, está em olhar diferente. Não para ecossistema vivo — dinâmico, adaptativo e abandonar a capacidade de fazer acontecer, mas em constante construção. para organizá-la com mais consciência, estrutura e direção.

Como já dizia Jack Welch, “estratégia é movimento”. E, em um ambiente em transformação contínua, a capacidade de ajustar, aprender e evoluir deixa de ser diferencial e passa a ser condição de existência.

Na prática, isso significa olhar para a sua rotina e identificar: quais decisões você já sabe que precisa tomar mas continua adiando? E mais: você consegue reconhecer por que continua adiando? O CUSTO INVISÍVEL DA GESTÃO DO IMPROVISO: COMPORTAMENTO AUTOMÁTICO OU ESCOLHA CONSCIENTE?

Durante muito tempo, a gestão do improviso foi associada à sobrecarga e à falta de tempo. Mas existe uma dimensão menos visível e mais profunda que explica por que tantos empreendedores permanecem presos ao modo reativo.

Na prática, há uma razão para isso. Atividades como planejar a semana, analisar números ou pensar estrategicamente exigem foco, energia e intenção. Já responder mensagens, resolver o que surge e “apagar incêndios” acontece de forma quase automática.

Daniel Kahneman, psicólogo e Nobel de Economia e autor de ”Rápido e Devagar” descobriu algo profundamente relevante para quem empreende. Mostrou que operamos a partir de dois sistemas: um rápido, automático e reativo e outro mais lento, analítico e estratégico, que exige atenção, foco e energia para funcionar.

Sob pressão, é o sistema rápido que assume o comando exige menos esforço, consome menos energia e entrega recompensa imediata. Já o sistema mais analítico exige mais esforço e persistência e, por não parecer urgente, acaba sendo constantemente adiado.

A neurocientista e pesquisadora Amy Arnsten demonstra que o estado de alerta constante reduz a atividade do córtex pré-frontal região responsável por tomada de decisão, planejamento e pensamento estratégico.

O que muitas vezes parece falta de disciplina ou vontade tem, na verdade, base no funcionamento do cérebro é neurociência. DA REAÇÃO À CONSTRUÇÃO: A VIRADA Como afirma Carl Jung, “Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida.” Se esse padrão é um funcionamento natural do cérebro sob pressão, sair do modo reativo não depende de fazer mais, mas de desenvolver a capacidade de reconhecer o que está conduzindo o seu comportamento e as decisões do seu negócio.” Só se pode transformar aquilo que se conhece.

Reconhecer padrões deixa de ser um exercício teórico e passa a ser estratégico. Porque, enquanto o cérebro opera no piloto automático, respondendo ao urgente, evitando o desconforto e buscando recompensas imediatas, nenhum modelo de gestão se sustenta.

A virada acontece quando esse padrão deixa de ser invisível.Não para eliminar o sistema rápido, ele é necessário. Mas para reconhecê-lo e saber quando ele está no comando. Não há mais um único caminho, um único modelo ou uma única resposta.

O que passa a sustentar o negócio, hoje, é a capacidade de interpretar o contexto, recalibrar decisões e conduzir o negócio com mais intenção e clareza. No próximo artigo, vamos aprofundar esse movimento.

Vamos explorar uma nova forma de conduzir o negócio que integra razão e emoção, reduz a reatividade e amplia a clareza nas decisões. Uma gestão mais consciente, mais estratégica que não nasce da pressão do dia a dia, mas da capacidade de escolher, com mais lucidez, o que realmente importa.

Talvez o ponto não seja apenas saber o que fazer mas ter coragem de sustentar as decisões que você já reconheceu como necessárias. E, como fechamento, fica um convite à reflexão: O que está, de fato, conduzindo o seu comportamento e as decisões do seu negócio o padrão automático ou a escolha consciente?

COSTURA ESTRATÉGICA DO MÊS Se no artigo anterior falamos dos fios soltos, da rotina fragmentada, conduzida pelo urgente, e neste ampliamos o olhar para reconhecer os padrões que sustentam esse modo de operar.

Talvez as perguntas agora seja outras: não mais o que fazer, mas o que, dentro de você, sustenta, ou não, aquilo que precisa ser feito? Quais pontos se repetem? Quais precisam ser ajustados e quais, simplesmente, precisam ser desfeitos?

Porque o que você constrói fora é reflexo da forma como você se organiza por dentro. E, muitas vezes, não é a falta de clareza que paralisa, mas a dificuldade de sustentar o que já se sabe. De atravessar o desconforto, sair do automático e agir com consciência.

Negócios não travam de uma hora para outra, travam quando decisões importantes continuam sendo adiadas. Quando o urgente ocupa o espaço do que realmente importa. Quando se sabe, ou se intui, o que precisa ser feito, mas não se faz.

Gerir, então, deixa de ser apenas definir caminhos, mas também sustentar escolhas. Mesmo sem garantias. Mesmo quando não é confortável. Mesmo quando exige mudança. Talvez, no fim, não seja sobre fazer mais.

Nem sobre fazer melhor. Porque é nesse espaço entre saber e sustentar que o seu negócio, de fato, se transforma. É aí que a reação dá lugar à construção e acontece o despertar da gestora estratégica aquela que deixa de apenas reagir e passa a conduzir o seu negócio com consciência, direção e intenção.

Porque empreender também é isso: escolher o que merece ser costurado… e seguir, ponto a ponto, construindo o que realmente importa PERGUNTAS PARA REFLEXÃO ·O que orienta suas decisões: padrão automático ou escolha consciente? ·Você consegue identificar quando está operando no piloto automático? ·O urgente está ocupando o espaço do essencial no seu negócio? ·Você está agindo… ou construindo?

Está ocupada ou avançando? ·Quais decisões você tem adiado, mesmo sabendo que são necessárias? ·Se pudesse conduzir seu negócio com mais intenção a partir de amanhã, por onde começaria?

Publicado em Leste Empreendedor · Maio 2026
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