“Não sou boa com números.” “Não tenho jeito para venda.” “Marketing digital não é para mim.” “Tenho medo de errar.” Frases como essas aparecem com frequência na trajetória empreendedora. À primeira vista, podem parecer comentários soltos, quase inofensivos. Mas, quando olhamos com mais profundidade, percebemos que muitas delas carregam dores, limites e crenças construídas ao longo do tempo.
São crenças que, com o tempo, podem virar limites. E limites, repetidos muitas vezes, podem se transformar em narrativas que contam histórias sobre quem somos e sobre o lugar que nos permitimos ocupar na condução da nossa vida e do nosso negócio.
A mentalidade que aprende
A contribuição de Carol Dweck nos ajuda a compreender uma dimensão muitas vezes invisível da aprendizagem humana: a forma como nossas crenças podem ampliar ou estreitar os caminhos que acreditamos ser capazes de trilhar. Essas crenças influenciam escolhas, comportamentos e até o tamanho do futuro que nos autorizamos a sonhar.
A mentalidade fixa é a crença de que nossas qualidades e capacidades são traços fixos e imutáveis. O erro vira ameaça. O desafio vira risco. A dificuldade parece revelar uma falta. Já a mentalidade de crescimento parte da premissa de que capacidades podem ser desenvolvidas com esforço, prática, estratégia e aprendizado contínuo.
A força transformadora do “ainda”
Quando trazemos essa reflexão para o empreendedorismo, a mudança é profunda. É a empreendedora que troca “não sei vender” por “ainda não aprendi a vender” e que busca capacitação não por obrigação, mas porque entende que gerir um negócio exige competências que se constroem.
A palavra “ainda” tem uma força transformadora. Ela não nega a dificuldade. Não romantiza o processo. Mas abre espaço para a possibilidade de desenvolvimento. A primeira frase fecha uma porta. A segunda abre um caminho.
Empreendedoras não nascem prontas
Aprendemos a empreender e nos tornamos melhores empreendedoras à medida que abrimos nossa mentalidade ao aprendizado e estudamos, experimentamos, erramos, ajustamos, pedimos ajuda, recomeçamos sempre que necessário. A mentalidade de crescimento não pode ser confundida com a ideia simplista de que “basta querer”.
Para refletir
Empreendedoras não nascem prontas. É nesse aprendizado, ponto a ponto, escolha a escolha, que vamos costurando não apenas negócios mais sustentáveis, mas também novas formas de reconhecer a nossa própria potência.
Até o próximo mês.
Publicado em
Revista Leste Empreendedor · Julho 2026