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Adriana Pereira Psicanálise Freudiana do Leste · Mai 2026

O Inconsciente que Governa o Seu CNPJ

Adriana Pereira

Por Adriana Pereira

Psicóloga · Colunista Leste

ADRIANA PEREIRA - PSICÓLOGA CORPORATIVA Enquanto você foca em metas, indicadores e resultados, existe uma camada invisível influenciando cada decisão dentro da sua empresa. E ela não aparece em relatórios. Histórias mal resolvidas, cobranças internas silenciosas e padrões emocionais antigos continuam operando, inclusive nas reuniões mais estratégicas. O problema não é a falta de técnica. É acreditar que tudo se resolve com técnica. Muitas das dificuldades que você enfrenta na gestão não são operacionais. São emocionais, ainda que ninguém nomeie assim. Existe um mito muito comum no ambiente corporativo: o de que burnout é causado apenas por excesso de trabalho, posso te afirmar que não é. O esgotamento, nasce de uma relação distorcida com o próprio desempenho. Pessoas que nunca se sentem suficientes, que operam sob uma cobrança interna constante e que vivem tentando alcançar um padrão que sempre se desloca. Elas entregam muito, mas nunca descansam de verdade. Porque no fundo não é sobre carga, e sim sobre não conseguir corresponder ao que acreditam que deveriam ser. Dentro das empresas, isso custa caro. Queda de performance, afastamentos, desmotivação e, principalmente, talentos que se perdem sem uma causa visível, outro mito confortável: conflitos de equipe são falhas de comunicação.Se fosse só isso, bastaria alinhar expectativas e tudo estaria resolvido. Mas você já viu que não funciona assim. As pessoas não reagem apenas ao que o outro faz, mas reagem na verdade aquilo que representa para elas. Um gestor pode ser percebido como controlador não apenas pelo comportamento atual, mas porque ativa experiências anteriores de autoridade. Um colega pode ser visto como ameaça não pelo que faz, mas pelo que desperta.

Chamamos isso de projeção: quando algo interno é atribuído ao outro. E enquanto isso não é reconhecido, o conflito se mantém, muda de forma, mas não desaparece. Agora, o ponto que merece atenção, a liderança. Existe uma crença forte de que líderes tomam decisões baseadas em dados. Mas, na prática, muitas decisões são tomadas para proteger a própria imagem, evitar desconforto ou sustentar uma posição de controle. A dificuldade de ouvir, a necessidade de estar sempre certo, a resistência a mudanças, tudo isso pode parecer estratégia, mas é defesa. E há um fator ainda mais profundo, as pessoas não se relacionam apenas com o líder real, mas com o que ele representa. Liderança não é apenas um cargo, é um lugar emocional. Por isso, alguns líderes são seguidos com confiança, enquanto outros enfrentam resistência constante, mesmo tendo competências técnicas semelhantes. Quando esse nível não é considerado, a empresa entra em um ciclo silencioso de desgaste. Decisões são tomadas, problemas são “resolvidos”, mas os mesmos padrões continuam reaparecendo. E é aqui que entra a pergunta que a maioria evita, o que está se repetindo dentro da sua empresa? O mercado está cheio de metodologias, ferramentas e modelos de gestão. Mas existe um limite claro para o que eles conseguem resolver. Porque nenhuma estratégia sustenta resultados quando as decisões são guiadas por insegurança, necessidade de aprovação ou medo de perda. Empresas não quebram apenas por erro técnico, elas quebram por uma sequência de decisões emocionalmente distorcidas ao longo do tempo. Se você quer melhorar resultados de forma consistente, precisa mudar o foco. Pare de olhar apenas para metas e comece a observar padrões, onde há repetição, há algo que ainda não foi compreendido. Equipes que se desmotivam sempre do mesmo jeito, conflitos que reaparecem, mesmo depois de “resolvidos”, Lideranças que centralizam, mesmo quando isso já se mostrou ineficiente. Isso não é acaso, vamos nomear? É sintoma. E sintoma ignorado não desaparece, se repete e se repete. Vamos pensar juntos… O que você está tentando provar, e para quem, quando sacrifica sua saúde? Sua cultura organizacional está realmente promovendo crescimento ou apenas sustentando um modelo de funcionamento que ninguém questiona mais? No fim, a questão é simples, embora desconfortável, O INCONSCIENTE NÃO É OPCIONAL, ele já está operando. A única escolha possível é se você vai continuar sendo conduzido por ele, ou se vai começar a compreender o que, de fato, está por trás das decisões que movem o trabalho e o seu negócio. 1144

Publicado em Freudiana do Leste · Maio 2026
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