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Márcia LucasSaúde Mental

Por que você deseja um amor tranquilo, mas ainda se envolve com quem te machuca?

Entenda como dores emocionais podem influenciar suas escolhas afetivas, e por que cuidar dessas feridas pode ajudá-la a construir relacionamentos com mais paz, segurança e reciprocidade.

Por Marcia Lucas Silva

Terapeuta Integrativa Emocional · Colunista

Muitas mulheres dizem que desejam encontrar um homem honesto, maduro, companheiro e emocionalmente disponível. Alguém com quem possam construir uma relação tranquila, segura e baseada em respeito.

Mas, mesmo desejando isso, algumas acabam repetindo relacionamentos marcados por ansiedade, rejeição, insegurança, ciúmes, afastamentos e sofrimento.

E então surge uma pergunta dolorosa: “Por que isso sempre acontece comigo?”

A resposta não está em culpar a mulher pelas pessoas que aparecem em sua vida. Também não significa que alguém “atraia homens ruins” porque possui problemas emocionais.

A questão pode estar em algo mais profundo: naquilo que ela aprendeu, ao longo da vida, a reconhecer como amor.

Quando o conhecido parece mais seguro do que o saudável

Imagine uma mulher que cresceu precisando conquistar atenção. Talvez tenha aprendido que precisava agradar, cuidar, ceder ou provar seu valor para receber carinho.

Na vida adulta, conscientemente ela deseja um relacionamento diferente. Mas emocionalmente pode continuar se sentindo familiarizada com pessoas distantes, imprevisíveis ou difíceis de conquistar.

Não porque goste de sofrer. Mas porque aquele tipo de relacionamento desperta sentimentos que ela conhece muito bem.

Ela espera uma mensagem. Tenta entender o silêncio. Procura descobrir o que fez de errado. Faz mais para receber menos.

E, quando finalmente recebe atenção, sente um enorme alívio. Esse alívio pode ser confundido com amor.

Nem toda intensidade significa conexão

Relacionamentos instáveis costumam provocar emoções muito fortes. Há momentos de proximidade seguidos de afastamento. Discussões seguidas de reconciliações intensas. Medo de perder seguido de promessas. Tudo parece muito vivo.

Enquanto isso, quando aparece alguém que conversa, respeita, mantém a palavra e demonstra interesse sem jogos, a relação pode parecer “calma demais”. Algumas mulheres chegam a pensar: “Não senti aquela química.”

Mas vale fazer outra pergunta: será que aquilo que você chama de química sempre foi amor? Ou algumas vezes foi ansiedade, medo, expectativa e necessidade de aprovação?

Paz não significa falta de paixão. Segurança não significa monotonia. Um relacionamento saudável também pode ter desejo, emoção e intensidade, mas não deveria exigir que você viva constantemente tentando descobrir se será amada amanhã.

Cuidar das próprias dores muda a forma de escolher

Quando uma mulher começa a cuidar de feridas de rejeição, abandono, desvalorização ou medo de ficar sozinha, algo importante começa a mudar. Ela passa a observar comportamentos que antes ignorava. Começa a perceber quando está se esforçando demais para manter alguém por perto. Aprende a estabelecer limites. Deixa de transformar pequenas demonstrações de atenção em grandes provas de amor.

E começa a entender que não precisa abandonar a si mesma para que outra pessoa permaneça. Isso não significa tornar-se fria, desconfiada ou exigente demais. Significa aprender que amor e sofrimento não precisam caminhar juntos.

Um relacionamento que traz paz também permite crescimento

Um parceiro emocionalmente saudável não precisa controlar você para se sentir seguro. Não precisa diminuir seus sonhos. Não usa silêncio, ciúmes ou afastamento como forma de punição.

Ele pode discordar, errar e ter suas próprias dificuldades, mas existe disposição para conversar, respeitar, construir e crescer.

E você também precisa conseguir ocupar esse relacionamento sem viver com medo de perdê-lo.

Talvez, portanto, a pergunta não seja apenas: “Onde estão os homens bons?”

Talvez exista uma pergunta ainda mais importante: “Estou preparada para reconhecer um amor saudável quando ele chegar?”

Porque, às vezes, mudar a vida afetiva não começa quando alguém novo aparece. Começa quando você decide que não precisa mais sofrer, se diminuir ou se abandonar para se sentir amada.

Fonte: Freudiana do Leste - Psicanalise · Edição Outubro 2026

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