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Márcia LucasSaúde Mental

Quando Emagrecer Não Resolve o Que Realmente Dói

Por que você continua escolhendo o que te machuca?

Por Marcia Lucas Silva

Terapeuta Integrativa Emocional · Colunista

Às vezes, a mulher não quer apenas perder peso. Ela quer perder a vergonha, a rejeição, as comparações e tudo aquilo que aprendeu a sentir quando olha para o próprio corpo.

Ela já tentou dieta. Academia. Jejum. Mudou a alimentação, contou calorias e talvez tenha recorrido a medicamentos ou às chamadas canetas para emagrecer.

Este texto não é uma crítica a nenhum desses caminhos. Existem diferentes formas de cuidar do peso, e algumas podem fazer parte de um tratamento acompanhado por profissionais de saúde.

A questão que quero trazer é outra: o que você espera que o emagrecimento resolva dentro de você?

Porque algumas mulheres não estão tentando apenas emagrecer. Elas estão tentando finalmente se sentir aceitas.

Querem entrar em uma roupa sem imaginar o julgamento dos outros. Querem aparecer em uma fotografia sem esconder o corpo. Querem ouvir um elogio. Querem deixar de ser comparadas. Querem provar alguma coisa para alguém.

No fundo, existe uma esperança silenciosa:

“Quando eu emagrecer, ninguém mais conseguirá me fazer sentir assim.”

E é aí que mora uma dor que a balança não consegue medir.

Uma mulher pode perder muitos quilos e continuar olhando para si com os mesmos olhos de antes.

Pode chegar ao número que desejava e ainda achar que não está bom.

Pode continuar se comparando, buscando aprovação, sentindo medo de engordar novamente ou acreditando que precisa mudar mais alguma coisa para finalmente ser suficiente.

Porque existe uma história por trás da relação com o corpo. Talvez ela tenha ouvido comentários sobre sua aparência desde pequena. Talvez tenha sido rejeitada, traída, humilhada ou comparada. Talvez tenha aprendido que ser bonita, magra ou desejada era uma maneira de receber amor, atenção e reconhecimento.

E, sem perceber, começou a lutar contra o próprio corpo para tentar resolver dores que não nasceram nele.

Fazer por você muda tudo

Existe uma grande diferença entre pensar:

“Preciso emagrecer para que gostem de mim.”

E pensar:

“Quero cuidar de mim porque minha saúde e minha vida importam.”

Por fora, as duas mulheres podem fazer exatamente as mesmas coisas. Por dentro, estão vivendo processos completamente diferentes.

Uma está tentando fugir da rejeição. A outra está aprendendo a se escolher. E talvez seja essa a mudança que precisa acontecer primeiro.

Você pode escolher emagrecer. Pode buscar acompanhamento médico, nutricional, atividade física e os recursos adequados para sua realidade.

Mas não entregue ao seu novo corpo uma responsabilidade que ele não consegue carregar: a responsabilidade de provar que você merece amor, respeito e pertencimento.

Antes de transformar o corpo para viver melhor com os outros, talvez seja necessário começar uma transformação mais silenciosa: parar de se abandonar.

Olhar para si. Cuidar de si. Escolher a si mesma também.

Quando o cuidado deixa de ser uma guerra contra quem você é e passa a nascer do desejo de proteger a pessoa que você é, o emagrecimento deixa de ser punição.

E pode, finalmente, se tornar saúde.

Fonte: Freudiana do Leste - Psicanalise · Edição Setembro 2026

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