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Quando o Caos Vira Cultura

O caos não é exceção. Quando se repete, vira padrão. E quando vira padrão, vira cultura. Entenda esse ciclo.

Jul 2026
6 min de leitura
Adriana Pereira

Por

Adriana Pereira

Psicanalista

Tem uma pergunta que raramente aparece nas reuniões de planejamento, mas que talvez seja a mais importante de todas: o que as minhas atitudes constroem todos os dias no ambiente onde eu trabalho? Não é uma pergunta sobre missão ou valores. Estamos falando sobre comportamento. E é exatamente aí que a cultura de uma empresa vive ou vai por água abaixo.

Muitas organizações investem meses definindo propósitos, contratando consultorias, imprimindo valores em molduras e fixando tudo nos corredores. E, mesmo assim, algo não funciona. O clima continua pesado, a confiança não aparece, as pessoas continuam saindo. Porque cultura não é o que está escrito na parede. Cultura é o que acontece quando ninguém está olhando.

A cultura mora nos detalhes

Aparece quando um gestor responde com respeito a uma pergunta inconveniente. Quando alguém assume a responsabilidade por um erro sem procurar culpado. Quando uma pessoa para de verdade para ouvir o colega. Quando a equipe escolhe ajudar em vez de competir. São gestos simples, quase invisíveis. Mas quando se repetem, dia após dia, eles passam a definir o que é normal ali.

Edgar Schein dizia que a cultura é aprendida, compartilhada e transmitida. A gente aprende cultura convivendo, vendo o que é celebrado, o que é tolerado e o que é ignorado. Todo comportamento transmite uma mensagem. As pessoas observam muito mais do que escutam.

O que isso tem a ver com saúde mental?

Ambientes saudáveis não surgem apenas de processos bem organizados. Eles nascem da qualidade das relações, da forma como os resultados são cobrados, do espaço que existe para falar, do respeito às diferenças. Pequenas atitudes constroem confiança e senso de pertencimento. Mas pequenas atitudes também destroem.

Saúde mental no trabalho não começa nos programas de bem-estar. Começa na qualidade do que acontece entre as pessoas, todo dia.

Para refletir

A pergunta que mais transforma é: “o que eu posso fazer hoje para que esse lugar seja um pouco melhor do que era ontem?” A resposta raramente exige um grande projeto. Exige consciência. Porque a cultura não começa nos documentos, nas campanhas, nos discursos. A cultura começa em mim.

Até o próximo mês.

Publicado em

Revista Freudiana do Leste · Julho 2026
Adriana Pereira

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