Vivian transforma vivências em palavras e amplia esse olhar para novos espaços de escuta, cuidado e desenvolvimento emocional.
Algumas experiências não desaparecem quando o tempo passa. Elas continuam presentes na forma como uma mulher se enxerga, se posiciona, estabelece limites, se relaciona e toma decisões.
Para Vivian, olhar para a própria história significou reconhecer não apenas o que viveu, mas também aquilo que precisou deixar de viver.
Mãe aos 15 anos, ela assumiu responsabilidades cedo. Anos depois, esse reencontro com a própria trajetória deu origem ao livro Mãe Antes de Mim: A adolescência que não vivi.
A obra nasce de uma experiência pessoal, mas não se limita a ela. Vivian a construiu também como um trabalho de escrita terapêutica, capaz de convidar outras pessoas a olharem para suas próprias emoções, experiências e padrões.
Não podemos mudar aquilo que já vivemos. Mas podemos transformar a maneira como nos relacionamos com aquilo que vivemos.
Essa frase resume uma ideia que atravessa sua atuação como psicóloga: o passado não precisa ser apagado para que novas possibilidades sejam construídas.
QUANDO UMA HISTÓRIA DEIXA DE SER APENAS
Ao escrever sobre si, Vivian descobriu a força que existe quando uma experiência finalmente encontra palavras.
A escrita pode ajudar a organizar sentimentos, despertar reflexões e aproximar uma pessoa da própria história. Não substitui o processo psicoterapêutico, mas pode funcionar como um caminho de elaboração e autoconhecimento.
Talvez seja por isso que Mãe Antes de Mim tenha encontrado tantas mulheres.
A história narrada é de Vivian, mas os temas que atravessam o livro amadurecimento precoce, responsabilidades, perdas, escolhas e identidade podem despertar outras histórias em quem lê.
Essa mesma percepção aparece no trabalho que ela desenvolve com mulheres desde 2019.
Ao longo de sete anos de mentoria, Vivian construiu espaços de acolhimento, escuta, troca e desenvolvimento. Foi nesse contato contínuo com diferentes experiências que ela passou a perceber a força dos processos coletivos.
“Uma história pode ajudar outra mulher a compreender a própria história.”
É dessa compreensão que nasce agora um novo projeto, desenvolvido ao lado da psicanalista Danielle Linhares: uma proposta de terapia em grupo voltada para mulheres.
A terapia em grupo surge como uma proposta clínica voltada à saúde mental, com espaço para escuta, reflexão e desenvolvimento emocional.
Vivian faz questão de diferenciar esse trabalho da mentoria que realiza desde 2019. São propostas distintas. A mentoria possui um objetivo próprio. Já a terapia em grupo nasce como um espaço clínico, conduzido por profissionais da Psicologia, no qual cada mulher poderá olhar para sua história sem precisar se encaixar em uma experiência específica.
A ideia parte de uma percepção que Vivian carrega há anos: muitas mulheres vivem cercadas por responsabilidades, cobranças, conflitos e dores que permanecem silenciosos por tempo demais. Para ela, cuidar da saúde mental também significa agir antes que tudo fique insustentável.
Significa fortalecer recursos emocionais, desenvolver autoconhecimento, compreender padrões e construir formas mais saudáveis de se relacionar consigo mesma.
É aí que livro, Psicologia, mentoria e terapia em grupo se conectam.
Não porque sejam a mesma coisa, mas porque partem de uma visão em comum: uma mulher pode olhar para a própria história com mais consciência e, a partir disso, construir novas possibilidades.
Vivian não trabalha apenas com aquilo que já aconteceu.
Ela trabalha com a forma como cada mulher pode compreender o que viveu, reconhecer o que ainda carrega e decidir o que deseja fazer com isso daqui para frente.
Dar voz à própria história, então, deixa de ser apenas contar.
Passa a ser compreender. Escolher. E seguir.
Publicado em
Revista Leste Empreendedor · Outubro 2026