As férias costumam vir acompanhadas de uma promessa: descansar, recarregar as energias e voltar para a rotina renovada. Mas nem sempre é isso que acontece. Para muitas pessoas, o descanso traz algo inesperado. Surge o tédio, a ansiedade aumenta, os sonhos ficam mais intensos e lembranças antigas aparecem sem explicação.
Mas e se esse desconforto não fosse um problema? E se ele fosse um convite para olhar um pouco mais para dentro de si?
Quando o mundo desacelera, o inconsciente encontra espaço
Na Psicologia Analítica, Jung explica que existe uma parte da nossa psique que continua trabalhando mesmo quando não percebemos. É o inconsciente. Durante a correria do dia a dia, ele costuma ficar em segundo plano. Já nas férias, quando a rotina desacelera, ele encontra espaço para se manifestar.
Jung chamou de persona essa identidade social que usamos para desempenhar nossos diferentes papéis. O problema começa quando esquecemos que ela não representa tudo o que somos. Nas férias, esses papéis ficam menos intensos e surge uma pergunta que a rotina costumava esconder: quem sou eu quando não preciso desempenhar nenhum papel?
O tédio nem sempre é um inimigo
O inconsciente não fala no meio do barulho. Ele aparece justamente quando existe espaço para ser ouvido. O tédio nem sempre significa que está faltando algo para fazer. Muitas vezes, ele mostra que faz tempo que você não se escuta.
É comum sonhar mais durante as férias. Com menos preocupações e menos estímulos externos, nossa mente encontra mais espaço para organizar experiências e expressar emoções. Para Jung, os sonhos usam símbolos para chamar nossa atenção para aspectos da vida que talvez estejamos deixando de lado.
Para refletir
Como escreveu Jung: “Quem olha para fora sonha; quem olha para dentro desperta.” Talvez o maior presente das férias não seja voltar apenas descansada. Talvez seja voltar mais consciente de si mesma.
Até o próximo mês.
Publicado em
Revista Freudiana do Leste · Julho 2026