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Macarena Lobos Comportamento Freudiana do Leste · Mai 2026

Reflexões Estruturais e a Tirania das Máscaras

Macarena Lobos

Por Macarena Lobos

Produtora e Estrategista de Conteúdo · Colunista Leste

SNo tempo em que eu era fotojornalista, ter um “crachá” simbolizava e se acreditava que seria o quarto poder. O quarto poder da informação e me comunicar diante da outra pessoa ou autoridade era muito fluídico e potente.

Mas tudo não passava de uma grande viagem ilusória e nada ilusionista, porque quando você não pertence mais a uma instituição tudo se torna apenas o eu. E como será agora sem o poder? Teria os mesmos amigos, a mesma ambiência?

O jornalismo tem a sua essência por si só, a autenticidade faz parte da trajetória de um jornalista e comunicador, pelo menos é o que se espera, sempre através da noticia, saímos investigando, apurando verdades.

Isso me ajudou muito a ser quem sou. Nunca fui muito de máscaras, apesar de saber que das máscaras nenhum índivíduo escapa. A identidade programada se constrói através de um personagem que aprende a sobreviver, agradar, se encaixar e evitar rejeição.

Com o tempo, esse personagem vira “eu”. E é aí que mora a farsa: passamos anos defendendo uma versão de nós mesmos que foi criada para ser aceita, e não para ser verdadeira. Essa programação ensina que ser autêntico é perigoso.

Ensina que sentir demais é fraqueza. Que ser diferente é arriscado. Que liberdade é irresponsabilidade. Muitas pessoas vivem como se estivessem em uma prisão invisível: trabalham por metas que não escolheram, sustentam relações que não nutrem, mantêm opiniões que nunca questionaram e carregam culpas que nem sabem de onde vieram.

O mais cruel é que a identidade programada é silenciosa. Ela não aparece como um inimigo. Ela aparece como “bom senso”, como “maturidade”, como “o jeito certo de viver”. E assim a pessoa vai se distanciando de si mesma, achando normal viver cansada, ansiosa, desconectada e vazia.

Quando alguém começa a despertar, a primeira sensação costuma ser desconforto. Porque enxergar a farsa dói. Significa perceber que talvez você tenha vivido anos tentando provar valor, tentando ser suficiente, tentando caber.

Significa admitir que a identidade que você defende pode ser apenas um conjunto de adaptações. Mas esse desconforto é o começo da liberdade. Desprogramar-se não significa abandonar tudo, nem virar outra pessoa.

Significa finalmente perguntar: “Isso sou eu ou isso foi colocado em mim?” Significa separar essência de condicionamento. Significa recuperar o direito de sentir, escolher, mudar e criar uma vida alinhada com o que faz sentido internamente.

A verdade é que a identidade programada é conveniente para o sistema: pessoas desconectadas de si mesmas são mais fáceis de controlar, de manipular e de convencer. Mas uma pessoa consciente é perigosa — porque ela para de pedir permissão para existir.

E quando a máscara cai, nasce algo raro: uma identidade viva, construída não pelo medo, mas pela verdade.

Publicado em Freudiana do Leste · Maio 2026
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