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Tricologia x química capilar: cuidar antes também faz parte da beleza

Out 2026
2 min de leitura
Esteline Nascimento

Por

Esteline Nascimento

Tricologista, Terapeuta Capilar e Massoterapeuta

Você já marcou uma química no cabelo e começou a se preparar alguns dias antes? Talvez você tenha pensado na cor que queria, no resultado esperado, comprado uma máscara para usar depois ou até separado aquela foto de referência para mostrar ao profissional. Mas existe uma pergunta que quase ninguém faz:

Como está o meu cabelo e o meu couro cabeludo antes de receber essa química?

Pois é. Quando falamos em coloração, descoloração, alisamentos e outros procedimentos químicos, normalmente pensamos no resultado. Queremos mudar a cor, cobrir os fios brancos, iluminar, alinhar ou simplesmente renovar o visual. E não há nada de errado nisso. Eu gosto de dizer que cabelo também é expressão. Mudar faz parte. O problema começa quando pensamos na química como um procedimento isolado e esquecemos que ela está sendo realizada em um cabelo que já tem uma história. E é justamente aí que a tricologia pode ser uma grande aliada.

Antes da química, existe um cabelo que

precisa ser observado

Nem todo cabelo que parece saudável está realmente preparado para passar por um procedimento químico. Às vezes, o fio está bonito, mas apresenta fragilidade. Em outros casos, o couro cabeludo está sensível, com coceira, descamação, excesso de oleosidade ou algum processo inflamatório. Também existe aquela cliente que vem de uma sequência de procedimentos: colore, descolore, usa fonte de calor com frequência, faz outra química e continua repetindo o processo sem observar como o cabelo está respondendo.

Até que um dia ele responde. E, como costumo brincar, o cabelo é fofoqueiro. Ele conta quando alguma coisa não vai bem. Pode aparecer quebra, ressecamento excessivo, perda de elasticidade, alteração na textura dos fios ou até uma queda que merece ser investigada. Por isso, o cuidado pré-química é tão importante.

Não significa que toda pessoa precise fazer um grande tratamento antes de colorir ou transformar os cabelos. Significa entender que cada cabelo tem uma condição e uma necessidade naquele momento. Avaliar antes permite que o profissional enxergue além do resultado desejado. Como está esse fio? Como está esse couro cabeludo? Existe sensibilidade? Existe quebra? Esse cabelo já passou por outros procedimentos químicos? Ele está em condições de receber mais um? São perguntas simples, mas que podem fazer muita diferença.

E depois da química?

Terminou o procedimento, o cabelo ficou lindo e pronto? Não exatamente. O pós-química também merece atenção porque o fio passou por uma transformação. Dependendo do procedimento realizado, sua estrutura foi modificada e isso exige cuidados adequados para preservar resistência, maciez, brilho e integridade. É nesse momento que muitas pessoas cometem outro erro: escolhem produtos apenas porque alguém indicou ou porque viram nas redes sociais. Mas o que funcionou para o cabelo da sua amiga pode não ser aquilo de que o seu cabelo precisa. Hidratação, nutrição e reconstrução têm funções diferentes. O tratamento precisa acompanhar a necessidade real daquele fio, e não simplesmente uma sequência pronta encontrada na internet. E existe outro ponto que eu considero fundamental: não podemos esquecer o couro cabeludo.

Às vezes, toda a atenção do pós-química vai para comprimento e pontas, enquanto a pele que sustenta aquele cabelo fica completamente esquecida. Se após um procedimento químico houver ardência persistente, vermelhidão intensa, feridas, descamação importante ou outro desconforto fora do esperado, isso não deve ser ignorado. O couro cabeludo também precisa ser observado e, quando necessário, avaliado pelo profissional adequado.

Tricologia e química não precisam estar em lados opostos

Durante muito tempo, criou-se uma ideia de que cuidar da saúde capilar significava abrir mão das transformações químicas. Eu não vejo dessa forma. A questão não é simplesmente fazer ou não fazer química. A questão é como esse procedimento está sendo realizado, em que condições esse cabelo se encontra e como ele será cuidado antes e depois.

A tricologia não precisa chegar apenas quando o problema aparece. Ela pode atuar de maneira preventiva, ajudando a reconhecer sinais de fragilidade, orientar cuidados e acompanhar a saúde do couro cabeludo e dos fios ao longo das transformações. E talvez essa mudança de olhar seja uma das coisas mais importantes quando falamos de beleza atualmente. Não precisamos escolher entre ter o cabelo que gostamos e cuidar da saúde capilar. Precisamos aprender a fazer escolhas mais conscientes. Então, antes da próxima química, além de perguntar qual será a cor, o tom ou o resultado, faça também uma pergunta diferente:

Meu cabelo está preparado para isso?

E depois, quando sair do salão feliz com o resultado, lembre-se de que o cuidado não terminou ali. Porque uma química bem-sucedida não é apenas aquela que fica bonita no dia. É aquela que respeita a história daquele cabelo, preserva o que precisa ser preservado e vem acompanhada de cuidado antes, durante e depois. No final das contas, beleza e saúde capilar não precisam competir. Quando existe conhecimento, avaliação e cuidado, elas podem caminhar juntas.

Publicado em

Revista Leste Beauty · Outubro 2026
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